segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"o poeta dos pés descalços" e a Banda Made in Angola


Oh vós todos amantes da arte poética e afins, vós todos os que gostais de cousas boas ide assistir no dia 24 de Novembro as 19 horas na Trienal Chá de Caxinde, Ângelo Reis “o poeta dos pés descalços” e a Banda Made in Angola. Apresentação dos Projectos o Semba e a Poesia e o Fado e Poesia não percam! Entrada livre...

Ângelo Reis

GLOBALIZARAM-TE

Aurio Quicunga apresenta o seu monólogo GLOBALIZARAM-TE na trienal de luanda, no dia 10 de Novembro às 21 horas.

A Companhia de Teatro Dadaísmo apresenta a Peça Ngombwangando na LAASP, dias 06, 07, 13, e 14 de Novembro e no dia 09 de Dezembro no cine Nacional teatro na Trienal de Luanda

Weza, a Princesa


NOTA DE IMPRENSA

Ngonguita Diogo vem enriquecer o universo da literatura infantil angolana com o seu mais recente trabalho intitulado, “Weza, a Princesa”, que será apresentado no CEFOJOR, (ao lado do Largo da LAC) às 17 horas do dia 13 de Outubro de 2010, pela escritora Kanguimbo Ananás.

A escritora Marta Santos diz no seu prefácio que, Ngonguita Diogo devolveu-nos o orgulho e a raça de um povo de grandes feitos, permitindo-nos sonhar e navegar nas asas da fantasia; entre feitiços, maldições, invejas e bruxarias. Ela surge no horizonte com Rainhas, Reis, Princesas e Príncipes Bantu; para lembrar ao mundo que a civilização africana tem berço.

Akiz Neto no seu posfácio, diz que Ngonguita Diogo se centra no objectivo de educar e ajudar adolescentes e jovens a mudarem de comportamento, assumindo respeito pelos mais velhos e pelas tradições, assim como evitar sentimentos de vingança, pois Ngana Nzambi é a solução.

WEZA, A PRINCESA, vem coroar o aniversário do pequeno Edson Giovanni Diogo Cruz da Fonseca, o último diamante da escritora Ngonguita Diogo, que faz 13 anos no dia 13 de Outubro de 2010.

Luanda, 05 de Outubro de 2010.

P’la Actividade

Exposição "Luanda's Dreams" - Benjamim Sabby - IC/CCP - 14.10.10 às 18H30


Exposição "Luanda's Dreams"

Autor: Benjamim Sabby

Local: IC/CCP

Hora: 14.10.10 às 18H30

Entrada: Livre

As Origens do Reino do Kongo


Amigas e amigos,

Lançamento do livro As Origens do Reino do Kongo

Na Próxima Sexta-feira, dia 15 de Outubro, a Mayamba Editora e o BPC apresentam o livro As Origens do Reino do Kongo, de autoria do prof. Mestre Patrício Batsîkama.

O acto terá lugar no ALL principal da sede do BPC , à Marginal de Luanda, pelas 18H00.

A apresentação da obra estará a cargo dos Investigadores Simão Souindoula e António Setas

SINTAM-SE CONVIDADOS E LEVEM MAIS AMIGOS E AMIGAS.

PREÇO DO LIVRO: KZ 3.500,00 (três mil e quinhentos Kwanzas)

Literatura para Todos 2010

literatura para todos.jpg

Os escritores brasileiros Luiz Ruffato, Maria Esther Maciel, Cláudio Daniel e Ronaldo Correia de Brito, e o escritor angolano José Eduardo Agualusa, compõem o júri do concurso Literatura para Todos 2010, promovido pelo Ministério da Educação.


O prazo para a inscrição de livros vai até 13 de outubro. Podem apresentar obras literárias escritores brasileiros e dos países africanos de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O Literatura para Todos deste ano abrange nove gêneros e vai entregar prêmios individuais no valor de R$ 10 mil, em dinheiro, a nove escritores, além de editar e distribuir os livros para milhares de jovens e adultos em processo de alfabetização em todo o país.


As inscrições são validadas com o envio das obras literárias. No Brasil, o livro deve ser enviado para o endereço: 4º Concurso Literatura para Todos - Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, Bloco L, sala 209. CEP 70047-900 - Brasília - DF. Os escritores africanos devem encaminhar as obras para as embaixadas do Brasil em seus países.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

7 de Outubro - Mesa Bicuda com Kate Hama



Não falte!
Local: Kings Klub
Entrada: 250kz
Data: 07 de Outubro
Hora: 19:00


Mais informações:
http://cangue.blogspot.com/2008/12/siamesa-da-kate-hama.html


" A siamesa: aparição, de Kate Hama? – perguntar-se-á. Não posso não responder, senão dizendo que é justa e precisamente desta cosmogonia e da cultura que ela encerra que parte e se constrói esta obra, ela mesma e a seu modo uma cosmogonia – ou, se se preferir, uma lenda fundadora sobre almas penadas, com suas almas e espíritos em trânsito entre o humano e a desencarnação, pelos universos do maravilhoso e do fantástico de que se alimentam as oraturas tradicionais angolanas. E isto, tanto ou mais que só uma obra do género literário da ficção científica.

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Dá-nos o autor como espaços onde decorre a narrativa, para além de Galáxias, como as do Além e dos Ares Quentes, por exemplo, a Cidade das Ruelas Estreitas (ou Apertadas), a Cidade de Solos Húmidos, os Condados do Labirinto, com o seu Salão Nobre, os Salões Amarelos da Constelação Unipolar, e a Esfera Rolante como se fosse o seu Cosmos.

Kapilas e Uvalas são os seres seus habitantes, muito embora entre si, por penetração sexual, à semelhança dos humanos, geneticamente se cruzassem e reproduzissem. Como seus líderes supremos, o Primeiro entre Pares e o Primeiro entre Ímpares.

“Lorde Kapito, o senhor do Labirinto” (título, aliás, do Capítulo V, e personagem que no capítulo anterior é dado como “O terror das imaginações”), “era um dedicado e extremoso anfitrião”, e um romântico. Acomodando “com brilho e riqueza em conforto os seus visitantes ou convidados.”, “Não acreditava que as guerras iluminavam a mente.”, pois

A paz, assim como a guerra, são dons universais que inúmeras vezes tiveram de ser exigidos da humanidade.

Os que se guerreiam, a uma dada altura sentem a necessidade da paz, para voltar a animar os valores mais usualmente humanos.

De certo modo, a paz mal amanhada e aconselhada é a guerra incubada. Para as zonas da Esfera Rolante que procurassem a paz e a calmaria, o Lorde tinha postado as Legiões dos Intriguistas, dos Conspiradores, Fazedores de Insatisfeitos, Promotores da Estupidez perante a Riqueza, e, finalmente, Corruptores. Um rol de gabinetes funcionais e activos em full-time, na defesa da existência da estrutura da Torre e dos seus superiores da Galáxia dos Ares Quentes.

Lêem-se estas palavras de exorcismo e de esconjuro da guerra e da morte que dela inevitavelmente advém, a páginas 45, cujos funcionários

Preocupavam-se com o dia a dia de certo número de escolhidos da Torre para lhes transmitirem, durante as festas, as orgias e os passeios nas localidades de Lorde Kapito, os fundamentos de uma vida saudável entre a intriga, a inépcia, a incompreensão, a desonra, a utilização daqueles que não eram adeptos dos ensinamentos do Lorde e daqueles que se uniram aos kapilas.

A vida durava pouco…

E mais adiante, diz o autor, volvendo a um plano já não tão próximo do humano, que “O valor da vida é pleno, quando a alma se confunde com os nossos dons, os espirituais e os naturais.”

Como anfitrião dos humanos, que antecipadamente se libertavam das suas “carcaças” para o encontro, o Lorde, depois de um “firme aperto de mão”, abraçava fortemente a alma dos homens, com quem trocava “Olhares sábios e segredantes.”, enquanto que

Às almas das damas, dependendo da sua estrutura física e tessitura facial, o Lorde tanto podia, depois de levemente vergar-se e menear a cabeça, beijar a mão como dar um ou dois dedos de conversa promissores!

O Lorde, com a sua “formação secular em Direito de Usurpação dos Dotes Inerentes ao Cérebro Humano.”, e como Representante do Primeiro entre Ímpares, não se poupava a esforços para impressionar as humanas almas que o visitavam, promovendo bailes e orgias inesquecíveis, lautos banquetes com tudo quanto de melhor, em comidas e bebidas se podia importar da Europa ou da África do Sul, a que nem os perfumes Kenzo, da sua particular predilecção, faltavam. Afinal, sentencia ele (ou o narrador por ele), “Os humanos viviam de ilusões e efémeras banalidades.”

Metáfora do poder, das suas estruturas e hierarquias, e metáfora da guerra, A siamesa: aparição é um romance cheio de humor, de ironia, e de transgressão (características tão comuns ao povo angolano, no seu quotidiano), onde o mito ancestral da dualidade, ou do duplo, se torna o fio condutor e labiríntico da narrativa, como desde o próprio título se dá a ler.

A perseguição à Siamesa, levada a cabo por uma Legião especial Ad-Hoc, da Constelação Unipolar, composta por Kanupy II, Dito e Alaina, é feita com as mais requintadas invenções tecnológicas, como os Carros de Cata-Ricos e os sistemas de comunicações bipolares, a par de camiões e automóveis humanos, onde não faltam sequer humaníssimos acidentes de viação, ou engarrafamentos dos túneis de ascensão. Túneis de ascensão para as almas, naturalmente. E para os seus meios de transporte, detecção e resgate.

Dividido em cinco partes e quinze capítulos, este primeiro romance de Kate Hama não descura nem a figura da mulher nem a sensualidade, o amor, o afecto e o erotismo nas suas páginas. E são justamente personagens femininas algumas das mais fascinantes criações ficcionais traçadas neste livro, como Alaina, Laurinda e Serafina, para além da Siamesa, que, depois da “missão cumprida” por Kanupy II, ao resgatá-la finalmente, e de lhe “fazer as análises da praxe”, a colocou a “relaxar na estufa central da Constelação Unipolar.” Posteriormente, e durante 12 horas, foi autorizada a voltar “a sentir emoções humanas.”, e a rever todos os seus entes queridos.

Não se pode dizer deste livro que seja uma obra-prima, muito embora, descontando, por vezes, um excesso de descritivismo narrativo, seja A siamesa: aparição uma obra consistente, reveladora de um talento sólido de contador de estórias, que vivamente auguro se venha aperfeiçoando nas próximas narrativas, pois só escrevendo, rasgando, reescrevendo muito, se aprende a escrever.

Livro de frescura e vida (porque, afinal, também as almas penadas ou extraterrestres são feitas de sentimentos e vida), A siamesa: aparição deve ser saudada em leitura de proveito e encantamento – e, permito-me repetir –, deve ser saudada fundamentalmente como a obra literária de um escritor que só a Paz pôde trazer à literatura angolana e, agora, ao nosso convívio."

*Zetho Gonçalves é poeta angolano e reside em Lisboa

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