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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

200º Aniversario de Charles Dickens

Saiba mais sobre

Charles DickensCharles Dickens - Project Gutenberg eText 13103.jpg

Charles John Huffam DickensFRSA (Portsmouth7 de Fevereiro de 1812 — 9 de Junho de 1870), que também adoptou opseudónimo Boz no início da sua atividade literária, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana.[1] A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, só aumentou. Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros actuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.
Entre os seus maiores clássicos estão "David Copperfield" e "Oliver Twist"
Dickens nasceu em uma sexta-feira na cidade de Moure (condado de Hampshire,Inglaterra), filho de John Dickens, funcionário perdulário da Armada, e de sua esposa Elizabeth Barrow. Quando fez cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no condado deKent.
Descrever-se-ia a si mesmo, mais tarde, como uma criança "muito pequena e não muito mimada".[2] Educado por sua mãe, que lhe ensinava diariamente inglês e latim,[2] passava muito do seu tempo a ler infindavelmente – e, com especial devoção as novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding. Entre os livros da sua infância encontravam-se também obras de Daniel Defoe, Goldsmith, bem como o "Dom Quixote", "Gil Blas" e "As Mil e uma noites". A sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que foram marcando a sua vida.
A sua família era remediada em termos económicos, o que lhe permitiu frequentar uma escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu pai foi preso por dívidas, depois de gastar os recursos da família no afã de manter uma posição social periclitante. Com dez anos de idade, a família mudou-se para o bairro popular de Camden Town em Londres, onde ocupavam quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz. Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à actualEstação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana.[3] Com o dinheiro, sustentava a família, encarcerada na prisão para devedores, em Moure onde ia dormir.
Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou consideravelmente, graças a uma herança recebida pelo seu pai. A sua família deixou a prisão, mas a mãe não o retirou logo da fábrica, que pertencia a um amigo. Dickens jamais perdoaria a mãe por essa injustiça. O tema das más condições de trabalho da classe operária inglesa tornar-se-iam, mais tarde, um dos mais recorrentes da sua obra.

Para mais informação aceda http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Dickens

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de março, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999. O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.
O dia é comemorado em mais de 100 países.

Ao desconcerto do Mundo
Luís de Camões

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Em mar de contentamentos
Os maus vi sempre nadar
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Noite
Agostinho Neto

Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.

Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.

São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.

Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.

Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.

AUTO-RETRATO
Bocage

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:
Triste de facha, o mesmo de figura,
Incapaz de assistir num só terreno,
escura De zelos infernais letal veneno
Mais propenso ao furor do que à ternura,
 Bebendo em níveas mãos por taça escura 
Devoto incensador de mil deidades, 
(Digo de moças mil) num só momento
 Inimigo de hipócritas e frades 
Eis Bocage, em quem luz algum talento
Saíram dele mesmo estas verdades
 Num dia, em que se achou cagando ao vento. 


A abelha que, voando, freme sobre

Ricardo Reis

A colorida flor, e pousa, quase

Sem diferença dela

À vista que não olha,
Não mudou desde Cecrops. Só quem vive

Uma vida com ser que se conhece

Envelhece, distinto

Da espécie de que vive

Ela é a mesma que outra que não ela.

Só nós - ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! -

Mortalmente compramos

Ter mais vida que a vida.