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domingo, 24 de julho de 2011

Autor de "Honra e Aurora" lança disco com poemas


Autor declama poemas há anos

Fotografia: DR

Marcos Raimundo, heterónimo literário de Marquepires, apresenta no próximo dia 30, na Praça da Independência, e 31, no Belas Shopping, em Luanda, o seu primeiro trabalho literário em áudio, intitulado “Honra e Aurora”.


O CD inclui oito poemas da sua autoria, todos eles recitados e acompanhados ao som de um trovador, inspirados nas mais diversas situações da vida.


Marquepires adiantou que trabalha no CD de poemas há mais de um ano e que a opção pelo suporte áudio, em detrimento do livro, se deveu ao facto de considerar ser mais fácil acatar conselhos oralmente do que por escrito.


“É mais fácil a pessoa ter a oportunidade de ouvir os poemas no carro, em casa e no local de trabalho, enquanto estiver a fazer uma ou outra coisa. O que não acontece com o livro. Além disso, gasta-se menos a fazer um CD do que a imprimir um livro, que exige mais tempo e concentração para uma boa leitura”, concluiu.


Marquepires disse que, numa primeira fase, estarão disponíveis no mercado três mil cópias do “Honra e Aurora”, que servirão também para uma digressão ao interior do país.


Para a realização deste seu primeiro trabalho literário em áudio, gravado em Angola e masterizado no exterior do país, Marquepires contou com a participação de M Degala, nos arranjos, e Mig Zau e Seek, na guitarra. A obra será comercializada ao preço de mil kwanzas.


Devido à influência de alguns professores quando tinha apenas 10 anos de idade, Marquepires começou a escrever poemas e a declamar na escola, e tem o escritor Botelho de Vasconcelos como seu ídolo literário.


O espaço Baia e o Movimento Literário Lev'Arte são os lugares onde mostra o seu talento como declamador.


Natural de Luanda, Marcos Raimundo nasceu no dia 11 de Dezembro de 1986.


Actualmente, é membro da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA), activista da luta contra as drogas e estudante universitário do curso de Gestão de Empresas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Resumo

«Quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador»


Al Berto

Fonte: http://olhares.aeiou.pt/nostalgia_foto4455986.html

domingo, 6 de março de 2011

Ser Mulher

Ser mulher é ser vida
É ser sol num dia de chuva
É dar cor ao nevoeiro
É ser vida sem morrer

Ser mulher é dar vida
É dar luz ao anoitecer
É sorrir sem apetecer
É sofrer sem merecer

Ser mulher é calar
É viver memórias sentidas
É percorrer um Sonho
É viver sem fantasias

Ser mulher é exigência
É dever de aprender
É sombra do seu ser
É sombra sem querer

Ser mulher é esperança
É cultivo sem adubo
É certeza do futuro
É sustento de um mundo

Ser mulher é sentimento
É lágrima proferida
É sentimento de injustiça
É mágoa do saber

Ser mulher é formosura
E de formas, a ternura
É suave nos seus gestos
É vistosa nos aspectos

Ser mulher é complemento
A partilha do sentimento
A sensibilidade presente
Neste e naquele momento

Não troco a condição
Nem nunca a irei perder


Sou mulher sou coração
Sou a essência do meu ser

Dou vida
Dou luz
Dou alma
Dou sonho
Dou esperança
Dou sentimento
Dou lágrima


Mas dou tormento
Dou o ventre
Dou a cor
Fico com a dor
Fico com o momento.


Joana Anacleto

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Florbela Espanca


Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
                                     Florbela Espanca


Amor que morre  
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
                              Florbela Espanca 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

As palavras que te envio são interditas


As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade

domingo, 2 de janeiro de 2011

Longe da Cidade

Havia a felicidade
no alto do morro,
do perfil da música

ao bico do pássaro.

Assim mesmo
como em momentos
nos guarda-jóias
buscados apenas
quando se deve

acreditar na semeadura.

Vai havendo a impotência,
que é trágica
quando não comedida,

no montar do sorriso.

Assim também
como o dente trincando
a maçã da imagem

na sacristia.

Há o mar
morrendo na praia
de felicidade,
tecendo o sonho

longe da cidade.


[A.S. in S.O.S.]

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Dia de Natal

(poema de António Gedeão)

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
Fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão [Poeta português]

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Francis Bebey

Francis Bebey. Cameroon (1929-2001).

Born in Cameroon in 1929, Francis Bebey was educated in Douala, Paris, and the U.S., receiving his degree from the Studi-école de la Radiodiffusion Outre-Mer, Paris. In addition to Bebey's accomplishments as a poet, playwright, and novelist, Bebey is an accomplished musician with over half a dozen CDs. In 1968 Bebey won the Grand Prix Littéraire de l'Afrique Noire for his novel Le Fils d'Agatha Moudio. Shortly thereafter, he took a job in Paris working for the information service of UNESCO. Through his multiple talents, Bebey has overcome geographic and language obstacles to contribute to the cross-fertilization of literary, communication, and music fields.


Terse and poignant, Bebey joins his contemporaries Tchicaya U Tam'si and David Diop in using poetry as a sharp instrument for dissecting racial injustices. It is remarkable not for its meter or imagery, but for its unabashed attack on literary convention and global inequity. Bebey's poetry can be taken in tandem with his other music, and writings as a lifetime of efforts to highlight North-South cleavages. Yet, his work transcends rhetoric by ameliorating the cleavages he identifies.


Never Tell Me Again, Lines 6-11, 45-53.

Never tell me again
You have forgotten
The sad, sweet fall
Of the ancestors' song
On the morning of life.

You will learn new songs...

Sing in the evening of the dance
And like the dew On the fresh grass
On the morning of the feast,
Dance bare-footed
On the dead grass of the West,
Trample underfoot
The carpet scorched by the still-oppressive sun
Of an age outworn.


Source: www.uflib.ufl.edu

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Poemas do meu dorso: "Cotação"

Com oito cilindros
da altivez de antílope
caçava planaltos
por essa estrada umbigo de abacaxi
sob ciclos de cieiro.

Com BI prenhe de metáforas
abria castelos infindos
também pintava dunas e grilos no palheiro.

Com conta de dígitos fecundos
comprava um amor
bem intenso e verdadeiro.

Gociante Patissa
Durante o matabicho no “Café da Cidade”, Benguela 7 Setembro 2010

Fonte: www.angodebates.blogspot.com

Hipocrisias Nulas E Nuas

Flutuo no ondular sinuoso das bandeiras…

Não conheço uma nacionalidade perfeita

muito não sou patriota de pátria alguma

Navego nas anuências do próprio pensamento…


Voo sentado num tapete mágico voador…

Medito de olhos semi cerrados com a mente aberta

Torno-me receptivo a luz da consciência criadora

Amalgamo-me com o próprio ar que respire…


Levo a mão ao rosto para limpar a transpiração

Saboreio ligeiramente o sal das gotas de suor

Imagino-me a atravessar um longo deserto

Vejo-me fora de mim sedento de língua de fora…


Pulo muros e paredes sem pestanejar como um cavalo…

Em meu eu a forca de um Pégaso carregado de vontade

Não existem barreiras que me levem a abrandar a sinergia

Cheiro o ardor do fogo que me arde que nem carvão no intimo…


Saio disparado como que um míssil lançado sem rumo…

Das minhas narinas sai fumo feito de raivas afagadas

Trago a minha frente a música do silêncio absoluto

Vem em minha mente a dança antagónica do tudo e do nada…


Pois acabei de ultrapassar crenças demagógicas e a mim mesmo...



Escrito a 7 de Setembro de 2010, por manuel de sousa, em Luanda, Angola, em Homenagem a todos os que teem o Livre Pensamento e a Humanidade como Patria…

sábado, 4 de setembro de 2010

Lobos Insonsos


Comam-me a língua os lobos
Sejam eles marinhos ou bravos
Veja eu as coisas por uma lupa
Vejam-me eles a mim por uma luneta...

Comungo a inveja do sentir
Minto com pernas curtas e coxas
Pulo a cerca sem pejo ou temor
Tremo que nem vara verde invejada...

Quero comer com todos o pão
Levar para mesa o desejo de ser
Sem sentimentos que me levem a cegar
Com as vistas turvas pela fome negra...

Trepo pelas paredes acima desgarradamente
Nem unhas tenho para tanto e tão pouco
Oiço que o sino da miragem toca sem parar
Paro para escutar o som do uivo trazido pelo vento...

Lavo a cara e as mãos nas águas da inocência
Corre-se-me face abaixo a tristeza perdida
Vou-me também corrego abaixo levado
Desfaço mágoas no liquefeito reflexo ido para sempre...


Escrito em Luanda, Angola, a 3 de Setembro 2010, por manuel de sousa, em Homenagem aos Irmãos de todo o Mundo, sejam-no somente de carne ou aspecto fisico, sejam-no na Alma...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CANÇÃO PARA TI

Neste pequeno verso
Escrevo esta cançao para ti
Sobre a nossa vida juntos
De momentos vividos e não vividos
De palavras ditas e controvérsias
De uma história de amor descabida

Neste pequeno verso
Debruço-me sobre sentimentos
Que ficaram por esclarecer
Palavras que ficaram por dizer
Simplesmente… nao foram ditas
Oh palavras vagas

Neste pequeno verso
Escrevo um trecho dos sons por ti outrora proclamados
Ma, ma, da, pa,
O silêncio calou a voz da tua existencia
Oh quao doce e frágil
Tristes e vagas lembranças cercam meu pensamento

Neste pequeno verso
Escrevo esta cançao para ti
Oh amada minha
Que a recordaçao nao me peça para esquecer
Cada toque, cada gesto e o olhar
Oh, o teu olhar amada filha

Netste pequeno verso
Escrevo esta cançao para ti.

Dulce M. A. de Oliveira in Memórias (Minha alma Coletanea de poesias)

***

Dulce Manuela Antunes de Oliveira,
Nascceu em 1983 na cidade de Luanda.
Está a licenciar-se em Gestão de Recursos Humanos.
Pessoa destemida e leal aos seus objectivos.
Desenvolveu o gosto pela literatura desta tenra idade.
Memórias, assim se intitula sua 1ª obra literária,
uma reflexão de sentimentos profundos e alimento para a alma.
Redigida nestas paginas esta uma viagem entre a fantasia
e a realidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Novo Mwangolé

Don Kikas
Eu sou do beco, eu sou da poeira
Carrego na alma e no sangue as cores da minha bandeira
Eu tenho balanço, eu sou criativo e não é brincadeira
Eu vivo na fé, eu sou o novo mwangolé

Eu sou o novo, eu sou o novo mwangolé
Quero crescer com este país que está de pé

Abre a porta então, abre a porta ao teu irmão
Abre o coração e depois lhe estende a mão
Toda hora, toda hora a imaginar
Minha vida, minha vida a melhorar
Vou vivendo o dia a dia na esperança do amanhã
E eu te digo meu irmão que este sentimento é angolano
Ajudar o meu irmão está na nossa tradição
Nossa Angola está de pé
Povo angolano, povo bué!
Depois de esperas, bué de quimeras
Depois da queda levantamos
E eu te digo assim de pé
Sou angolano e eu sou bué!

Eu sou o novo, eu sou o novo mwangolé
Quero crescer com este país que está de pé

Eu sou aquele mwangolé que olha de igual para o seu irmão
P´ra nossa Angola estar de pé há que manter a união
Podemos até ser diferentes na nossa crença ou na nossa cor
Mas te garanto meu irmão, somos iguais no coração
E se você dança dessa maneira, eu também vou levantar poeira
Na sintonia mwangolé

Eu sou o novo, eu sou o novo mwangolé
Quero crescer com este país que está de pé

E o que não me mata só me fortalece
O que não me queima só me arrefece...

EU SOU O NOVO MWANGOLÉ!!!!


Sonetos de Shakespeare

William Shakespeare

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Se nada há de novo e tudo quanto existe
já antes existiu, como erra o pensamento
que em inventar porfia e que iludido insiste
em dar ao já nascido segundo nascimento!

Mostrasse-me a memória, olhando para trás
do sol dos quinhentos cursos, a tua imagem dita
nalgum livro em cujas folhas ´stás
desde que a mente humana se fez palavra escrita,

para eu saber então o que os do antigo mundo
da forma milagrosa do teu vulto diziam,
se o nosso bem, se o deles, qual foi o mais fecundo,

ou se as revoluções do tempo não variam.
E certo estou que deram engenhos do passado
a muito pior´s temas louvor mais admirado.


em Sonetos de Shakespeare
Tradução de Vasco Graça Moura.

sábado, 26 de junho de 2010

APENAS PALAVRAS


As palavras ...
Saltammm...
Pulammm...
Gritammm...
Brincammm...


Entrelaçam-se.
..
E... fazem...
A alegria ...
De muita gente...
Gente que nunca...
Olhou palavras...
Nunca as sentiu...
E que nunca...
As quis ver...


Mas quando as olhou...
Viu como brincavam
Como dançavam...
Como se entrelaçavam...
E assim...
Aprenderam a gostar...
E a sentir...
O verdadeiro valor...
Das Palavras!...


LILI LARANJO

segunda-feira, 21 de junho de 2010

BOLA REDONDA

Bola...
Que é apenas...
O delírio...
Da pequenada...
E também dos adultos...

Uma bola...
Uma simples bola...
Transforma...
Os homens...
Movimenta...
O mundo...

Pobres...
E ricos...
Sentem...
Que bola...
É alegria...
E divertimento...

E a bola...
Que joga...
Que rola...
Que faz rir...
E faz chorar...

Consegue...
Esquecer...
Horas más...
E fazer...
A união...
De um Povo!...

LILI LARANJO

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ROSA EM TEMPO DE CHUVA

Rosa de há tempos
quando voltaste
uma rede de amor
amuletos de sedução
no balaio de certezas
carne em festa e
um certo coração,

rosa de agora que ficaste
a magia esquecida
entre os dedos sofrida
energia detida
em frasco de perfume,

quero-te rosa,
mas, a esterilidade do gesto
e a superficialidade do toque
um fogo quase afogado
encubado,

rosa, quero que voltes
mas não fiques,
cumpre a tua missão
de nuvem carregada e
dá-me a tua chuva. Apenas.

{A.S.
in S.O.S.}



A Rosa era uma jovem mulher negra. E tenho para mim que o seu apelido era Bonita. Dizia-se que tinha estado em Portugal a estudar e de la’ voltado assim: feita Joana Maluca dos anos 80. Rosa Bonita e Joana Maluca, duas mulheres-simbolo do pior tipo de violencia que pode ser exercido sobre a mulher: a sua coisificacao sexual enquanto deficiente mental; Rosa Bonita e Joana Maluca, duas mulheres-testemunho do pior mal de que pode enfermar toda uma cidade, toda uma sociedade: a total indeferenca, quando nao "divertimento", com que os seus casos eram “olhados”…

Enquanto a Joana Maluca “exercia o seu mister” nas ruas e bordeis do Bairro Operario dos anos 60 e 70, servindo os contingentes de tropa portuguesa que ali eram despejados em camiões, a Rosa Bonita “exercia-o” nas ruas e hoteis da Baixa Luandense, servindo os cooperantes estrangeiros do pos-independência.

Mas, se da Joana Maluca dos meus tempos de miuda eu tinha medo, fugia dela quando a via, da Rosa Bonita nao: era muito simpatica, trazia sempre um sorriso nos labios e uma flor no cabelo. Vi-a varias vezes gravida – nao sei o que foi feito dos filhos…

Um dia quis ter uma conversa com ela. Uma conversa como um banho de chuva que lhe lavasse o corpo e a alma e soltasse o seu perfume original. Uma conversa que a fizesse voltar a si. Apenas.


Just Poetry (XIV)