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terça-feira, 21 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

ANOTAÇÕES À OBRA DE LUEJI DHARMA

Viajo na obra e na sensibilidade de Lueji Dharma. Literalmente. E o faço em um entardecer de Maio do ano de Cristo de 2011 a uma altitude de 36 mil pés.

O avião rasga a imensidão dos céus da Amazônia brasileira em um vôo de cruzeiro na rota entre Brasília, no Planalto Central, e Boa Vista, no Estado de Roraima, amplo espaço de ocupação indígena na fronteira da Venezuela. É aqui nas alturas, distante dos afazeres mundanos, que a mente encontra serenidade para viajar pelos mais expressivos pensamentos e envolver-se nas maravilhas que a inteligência produz. Não foi sem razão, portanto, que reservei a leitura de Aldeia de Deus / Tchehunda tcha Zambi para um espaço e uma situação singular como esta.

A apreciação do livro necessariamente passa pelo conhecimento da autora. Sabem os viajantes que não se deve beber da água, por melhor aparência, sem que se conheça a fonte; não é prudente enveredar por desconhecidos caminhos sem que o guia seja absolutamente confiável. Por isso, dediquei instantes preliminares para refletir sobre Lueji, a jovem intelectual que encontrei em uma generosa tarde de domingo em Luanda. Era uma reunião de apresentação com intelectuais angolanos, do Movimento Lev’Arte, que me recepcionavam calorosamente; era a proximidade com a cultura nativa; e era a oportunidade reservada por Deus para conhecer uma dessas pessoas que fazem diferença, ou que, no dizer de Sócrates, têm uma presença que enche o templo.

Lueji Dharma pareceu-me assim, desde o primeiro instante: atenta, perspicaz, culta e de alma gentil. Sabia ouvir, que é mais do que escutar; sabia dizer, que é mais do que falar. E agora, a cerca de 10 mil metros sobre o nível do mar, percebo que também sabe escrever, que é mais do que agrupar as letras do alfabeto. E, nesse contexto, encontro-me diante da obra dessa jovem
Professor Léo da Silva Alves Brasília - Brasil autora, dominadora de preciosos dons e senhora absoluta das melhores virtudes.

Ao se referir à sua Aldeia de Deus, um paraíso de sexta dimensão onde só acedem espíritos de luz, usa expressões como “onde vivo desde que morri” e “velas perdidas numa floresta de enganos”; e emprega imagens de plantas e flores que brilham intensamente, onde é “possível sentir os cheiros com uma intensidade avassaladora”. De imediato, por conseguinte, introduz o leitor em um cenário mágico valendo-se da impressionante capacidade de manobra com a língua portuguesa.

Quando se avança pelas páginas esteticamente postas, surgem relatos e diálogos construídos com a arte da simplicidade, mérito que poucos conseguem alcançar nas veredas da literatura. São trechos que expõem as inquietações da vida; provocam reflexões sem rodeios acerca das mazelas ou relações sociais; e trazem conclusões objetivas recolhidas da sabedoria do povo. É o que se vê, por exemplo, quando aponta o risco da “estupidificação total” pelos hábitos impostos pela burocracia laboral; ou quando explora os mistérios do amor, “um sentimento sem amarras”, como diz com convicção.

Há louváveis construções filosóficas, como “a realidade deixa de ser aquela que todos vêm e passa a ser aquilo em que acreditas”; e há momentos poéticos mesmo na prosa: “Não te sintas frustrada, por não saber o futuro.

Apenas Sê! Apenas faz!”.

É certo que a autora envolve o leitor em uma estória de bem sequenciada narrativa, e manipula as cenas e os personagens de forma a provocar sensações mescladas de enlevo e de inquietação.
Enfim, é um livro. O que significa substancialmente muito mais do que um projeto, algo muito além de um texto publicado.

O comandante avisa que são 19h15. As cortinas da noite cerram as portas do horizonte como percebo cá nos céus da Amazônia. O avião se Professor Léo da Silva Alves Brasília - Brasil
aproxima do pouso e a leitura se aproxima do fim. Foi uma bela viagem com uma escritora de sentimentos nobres, que tem talento, conteúdo e energia para se afirmar como orgulho da cultura escrita em Angola e na África.

“Há finais felizes! Basta acreditar e desejar…”, é o fecho do livro. Que outro encerramento eu poderia escolher aqui nas alturas para a avaliação da obra e da autora? Somente poderia – como faço – imaginar para Lueji a mais promissora carreira literária. Com produção de qualidade como esta, basta acreditar, basta desejar.

Brasil, Maio de 2011.
Léo da Silva Alves
Jurista e escritor brasileiro

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Obesidade Mental

Caras / Caros,

Recebi esta peça e não quiz deixar de partilhar convosco.

A Obesidade Mental - Andrew Oitke Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

Saudações amigas,

Jerónimo Belo

Cultural & Jazz Journalist
Events & concerts promotion

domingo, 11 de julho de 2010

“VIVA EU”


Havia tempo que o homem não tinha sonos completos. Mal dormia. À sombra da crescente mulemba trazida do Muriege, pensava no que dava e no que recebia. A balança pesava-lhe negativamente. Sempre que pousasse a cabeça sobre o travesseiro da cama vinham-lhe ideias sobre os gastos da mulher em lojas de conveniência, os brinquedos e presentes para os filhos que mais chumbavam do que passavam, e dos enormes encargos com terceiros. De recompensa, tirando o amor e felicidade familiar, tinha nada de material. O carro era velho e caía aos pedaços, sem como o substituir. A casa era alheia, pois a própria tardava, adiada, vezes sem conta, pela parca poupança que o orçamento mensal lhe proporcionava. Até a roupa que usava, grande parte era conseguida no areió-arreió¹.

Durante trezentos e sessenta e seis dias daquele ano bissexto, Ndvumba wa Iena trabalhou de forma árdua. Tinha pela frente o sustento da família os encargos com a nova residência, o sustento dos parentes directos e amigos de peito e outras despesas. Tinha, porém, um hábito velho de que não se desfazia que era o de oferecer presentes aos vários sobrinhos no dia de Natal. Reunia-os todos em sua casa e, um a um, chamando-os pelo nome e anunciando os méritos e deméritos da premiação, atribuía o que a cada um cabia. Anos atrás de anos assim procedeu, sem em troca receber semelhantes elogios e estímulos, até que um dia pensou em homenagear-se a si mesmo.

No princípio do mês décimo segundo, Ndvumba procurou por uma loja da cidade e pediu que lhe arranjassem algo para presentear um amigo muito laborioso, bom pai de família e merecedor de uma distinção não muito cara, mas bastante honrosa. Pediu também que fosse forrado com o melhor papel de embrulho que houvesse e inclusa uma dedicatória àquele “grande senhor” da sua vida. Lamba Lia Musono, a funcionária da loja Kufupha Falanga, fez a preceito e como lhe fora solicitado. Ndvumba fez de tudo para que a surpresa não fosse descoberta, nem por si mesmo, que também não sabia o que continha o embrulho. Com muito custo lutou e venceu a ansiedade e a tentação.

No dia D, família reunida como de hábito em sua casa. Uma mesa estendida e decorada expunha os muitos embrulhos numerados e nomeados como de costume.

Irmãs, primas, sobrinhos (estes tinham aumentado durante o ano) amigos, parentes e até vizinhos, todos esperavam ansiosos o que cada um deles receberia de elogios e de recompensa material. Era assim que fazia havia já cinco anos.

Tângua lia Zao, o filho primogénito tinha sido promovido naquele dia em mestre de cerimónia, função para a qual fora preparado durante meses e que exerceria doravante naquele e noutros eventos correlacionados. Era a natural passagem de testemunho. Kuji ya Phembe assim fizera com ele, Ndvumba wa Iena, enquanto sobrinho mais velho e herdeiro tradicional do tio. Tângua estava entre a ansiedade e os nervos. Tamanha era para ele a responsabilidade em sair-se bem e ver, se calhar, a sua recompensa duplicada. Um bom presente, apesar de não ser dos alunos mais brilhantes daquele ano académico, e uma posição na família, enquanto porta-voz dos encontros e debates mensais.

O relógio marchava apressado, o sol do meio-dia queimava a calvície dos anciãos convidados, remetendo-os a uma sombra conseguida com o recurso aos lençóis estendidos no quintal. Os embrulhos expostos na mesa de jantar, transladada para o vasto quintal, pareciam também reclamar do sol, suor e da demora, até que Tângua lia Zao aparece no seu fato de Caqui brilhante que o confundia com um cantor da nova vaga.

Tângua saudou pomposamente os tios, primos e demais convivas e passou, de imediato, a palavra ao pai que procederia à chamada, nome a nome, dos premiados do dia.

E a lista começa com um pequeno discurso:

_ Por ter sido exemplar, foi aqui dito, por não ter fugido às suas obrigações paternais, por ter sido aglutinador de uma família que se quer grande e unida... pausa e indica para o mestre de cerimónia o embrulho mais vistoso e continua... ofereço a Ndumba wa Iena, eu portanto, esta prenda que reconhece o trabalho e esforços despendidos ao longo do ano prestes a terminar.

A família, entre olhares díspares, bate palmas e soam os vivas. Nos cantos, as velhas beliscam-se pasmadas. Coisa igual nunca se tinha assistido ainda. Mas todos se rejubilam e tomam nota.

_ Ele também merece. - Atirou a matriarca Kaxina Kaji escondida nos seus panos de origem holandesa.

Com os poros rebentados e suor a transbordar, recebe beijos da sua amada e chovem abraços dos sobrinhos que por instantes desviaram a atenção que prestavam àquela mesa dos presentes.

Quando se preparava para retomar a lista dos contemplados, estalou o champagne e tempo teve apenas para presentear o porta-voz que lhe faria o trabalho subsequente. Seria Tângua e distribuir os panos para a avó, os carros e bonecas para os primos e convidar os tios para o repasto. Ndvumba tinha proferido, por obras, um “Viva eu”!


Soberano Canhanga

Caros amigos,
Ler é screcer.
Divirtam-se
Luciano Canhanga

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Ler é um hábito" e o dia da literatura infantil



A literatura infantil é muitas vezes vista como sendo uma literatura menor, no entanto, ela é também arte que deleita nossos sentidos porquanto o escritor desse gênero procurará com a sua sensibilidade, encantar, trabalhar o imaginário e a fantasia.

Foi no longíquo Séc.XVII que a literatura infantil constitui-se como gênero. A família burguesa, na sua mobilidade social, valoriza cada vez mais a criança e reorganiza a escola e, atendendo sua associação com a pedagogia, a literatura infantil começa a desenvolve-se.

Este ano, o Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de Abril, coincidiu com as festividades da Sexta-Feira Santa. O dia homenageia o escritor Hans Christian Andersen. Hans foi um renomado escritor dinamarquês de histórias infantis e escreveu mais de 156 contos.

Na quinta-feira, fui convidado ao programa Zimbando da TV Zimbo, onde também estiveram os escritores que escrevem para crianças, John Bella, Yola Castro (na foto ao lado) e ainda o radialista Quim Freitas ou simplesmente "Tio Quim" como é carinhosamente conhecido pelas crianças. Fomos unânimes em defender a necessidade de se continuar a produzir e divulgar a literatura infantil angolana, certamente com os apoios de toda a sociedade porque, o texto literário infantil é capaz de criar situações que promovam a discussão acerca de valores morais, sentimentos e atitudes.

Diversas actividades ocorrera para saudar a data. No Kuito-Bié, a Biblioteca Provincial realizou uma exposição de literatura infantil com cerca de mil setecentos livros diversos. Em Luanda, na praça da Independência, Maria Aline com o projecto "Ler é um hábito" juntou escritores e livrarias para exporem seus livros e assim festejar condignamente a data e contribuir no incentivo do gosto pela leitura no seio dos alunos.


Para a escritora Marta Santos (na foto acima), "incentivar o gosto pela leitura, é EDUCAÇÃO, ler instrui", logo a iniciativa da Maria Aline deve ser apoiada bem como demais iniciativas.

Conversei com diversas crianças no local que visivelmente estavam animadas. O Lucílio (na foto acima), do colégio Bifânia, na Kalemba 2, deixou a seguinte mensagem para seus colegas e amigos, "quero que as crianças leiam mais e estudem mais e que os papás ensinem as crianças a gostarem de ler". A mãe do Lucílio, Albertina Soba, acrescentou que "leio para os meus filhos desde cedo e assim eles vão ganhando o gostinho de ler. Ela mostrou-se regozijada pela iniciativa da feira e fez um apelo aos empresários que devem continuar a apoiar iniciativas do gênero.

Diversos títulos infantís foram expostos a destacar-se o livro infanto-juvenil "As aventuras de Ngunga" de Pepetela.


Os adultos também alegraram-se com a quantidade de títulos apesar de os preços dos livros ainda serem caros. A senhora Rosa, que não aceitou ser fotografada, disse que " as autoridades governamentais têm a maior responsabilidade de incentivar os hábitos de leitura e devem influenciar na redução dos preços dos livros. Desse modo os pais vão certamente comprar livros para os filhos e não só brinquedos, porque o livro ajuda no desenvolvimento cultural das crianças e, mesmo para as crianças que não podem ler, as figuras, as cores influenciam no crescimento da criança".

Força ao projecto "Ler é um hábito" da Maria Aline e viva a literatura infantíl angolana.

sábado, 3 de abril de 2010

Criado o "Projecto Clube dos Leitores"

Actualmente, várias actividades são realizadas, com o objectivo de incentivar o hábito de leitura por parte das pessoas.

Hoje é o dia internacional da literatura infantil. Está a decorrer no largo da independência, em Luanda, a feira de literatura infanto-juvenil, enquadrada no projecto “Ler é um hábito”. Actualmente, várias actividades são realizadas, com o objectivo de incentivar o hábito de leitura por parte das pessoas, facto preocupante que faz com que associações, movimentos e instituições tomem medidas relacionadas à questão.

O Movimento Lev’Arte criou o projecto "Clube dos Leitores", para dar o seu contributo na divulgação das obras angolanas e na obtenção de um maior conhecimento sobre literatura de um modo geral.

O projecto vai ser realizado no próximo sábado, dia 10 de Abril, na União dos Escritores Angolanos.

Tony Kapwete um dos responsáveis pela iniciativa diz que vai ser uma grande oportunidade, principalmente para os que se iniciam na literatura.

Em relação a data de hoje, Tony Kapwete afirma que a falta de incentivo por parte dos pais, encarregados de educação e professores, contribui para que a criança não desenvolva o hábito de ler.

O Poeta do Movimento Lev’Arte pede aos escritores de literatura infantil para levarem as suas obras à outras províncias do país.

Fonte: Rádio Mais