terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Cultura Tradicional Bantu


Introdução à essência de identidade

O interesse sobre os rituais da Cultura Bantu é apaixonante para os estudiosos de História como por todos aqueles que, por curiosidade, procuram obter respostas sobre o comportamento e identidade destes povos. O texto do Padre Altuna traduz vivamente esse espírito. Na sua antropologia, o leitor mergulha numa gama de informação sobre a essência da caracterização dos mesmos. As reflexões que passamos a delinear constituem uma síntese interpretativa do livro com o mesmo titulo, ou seja, uma espécie de cruzamento exploratório sobre a gênese do conhecimento.

N'vunda Tonet*

A pobreza antropológica nasce da fragmentação do espaço, do esvaziamento estrutural de um povo que, actualmente, se verifica em alguns países do que noutros, em função de um conjunto de factores exógenos que modificam a especificidade de hábitos e costumes em conseqüência de dois quesitos fundamentalmente: o período colonial e a incultura.

As transformações, que se assistem diariamente no nosso seio, podem ser interpretadas em dois planos paralelos: numa proporção concreta, de acordo com o conceito de globalização ou integração universal; numa ordem impessoal, o conceito manifesta-se em função do quotidiano dos indivíduos.

Não se exclui o ônus em relação à integração universal, sobretudo quando ela se resume na assimilação e exaltação de comportamentos e práticas alheias à realidade da comunidade, numa espécie de dominação, contribuindo para as novas gerações despidas do crepúsculo cultural absorvarem, piamente, a compreensão global como única e intransponível, fazendo crer que os nossos rituais não passam de manifestações antigas e fora do enquadramento contemporâneo.

Cada um de nós é cúmplice pela existência deste paradoxo cultural. O desinteresse pelos costumes, povos, lugares, etnografia e outros elementos de enorme brio cultural na transmissão de valores a nova geração faz coexistirem, no mesmo quadro conceptual, fenómenos que reinventam a tradição. É assim que assistimos pálidos e serenos à decapitação dos modos nos quais se realiza o pedido de casamento ", em que já se oferecem dólares na carta e bebidas importadas".

Temos defendido em outros espaços que um povo que se despe das suas raízes antropológicas para abraçar, cegamente, as influências exógenas perde a sua identidade, ou seja, não tem orientação cultural, tão pouco se conhece a sua essência de identificação cultural enquanto grupo.
A mundividência global, segundo clarifica Alfredo Teixeira, pode promover a mestiçagem cultural e abrir o terreno ao regresso da memória, veículo de resistência à pressão do desenraizamento cultural.

Devemos pensar na "Cultura" como modelo de orientação, o que merece ser protegido da dinâmica da transação social. Sentimos que, cada vez, que se arranha a sua pureza, se está a caminhar, lentamente, para o desaparecimento da mesma.
Este troço da morte torna-se inevitável, na medida em que a comunidade enaltece o desenvolvimento dos padrões de importação cultural.

I. História

A designação Bantu nunca se refere a uma unidade racial. A sua formação e expansão migratória originaram uma enorme variedade de cruzamentos. Há cerca de 500 povos Bantu. Assim, não se pode falar de "raça bantu", mas de "povos bantu", isto é, de comunidades culturais com civilização comum e línguas semelhantes.

O termo "Bantu" conserva a sua unidade e foi desenvolvido por povos de raça negra. O radical "ntu" comum a muitas línguas Bantu significa "homem"; o prefixo "ba" forma o plural da palavra "muntu" pessoa. Portanto, "Bantu" significa seres humanos, pessoas, homens, povo ".
Os Bantu, além do nítido parentesco lingüístico, conservam um fundo de crenças, rituais e costumes similares; uma cultura com traços específicos e idênticos que os assemelha e agrupa, independentemente da identidade racial.

Um terço da população negro-africana é Bantu. A fronteira norte pode começar nas montanhas dos Camarões ou na desembocadura do Níger até ao Sul da Etiópia, incluindo a Republica Centro Africana e sul do Sudão. A partir da fronteira norte, toda a África negra até ao Cabo, desde o Atlântico ao Indico, é quase totalmente Bantu.

II. Perspectiva

Em todo o caso, africanistas, pessoas interessadas no diálogo cultural, historiadores, antropólogos, sociólogos, psicólogos sociais, militantes da causa da negritude, entre outros, devem sentar-se à mesma mesa, no sentido de sublinhar os caminhos a percorrer em busca da preservação da identidade e traçar estratégias fortuitas que fortaleçam o conhecimento as novas gerações angolanas.

In Cultura Tradicional Bantu, Pe. Raul Ruiz de Asúa Altuna, 2006

*nvundat@gmail.com

1 comentário:

Anónimo disse...

sou encatada por essa cultura bantu